Livro: Atuação do poder público frente ao comportamento suicida entre os indígenas da Ilha do Bananal
Autor: (Orgs. Raimundo Batista dos Santos Junior; Tássio de Oliveira Soares)
O estudo analisa o comportamento suicida entre os povos Iny, particularmente os Karajá e Javaé da Ilha do Bananal, e examina as respostas desenvolvidas pelo poder público diante da intensificação dos casos observada sobretudo entre 2010 e 2013. Nesse período, foram registradas mais de vinte mortes por suicídio ou suspeita de intenção suicida, situação que demandou a articulação de instituições responsáveis pelas políticas de saúde, educação, assistência social, promoção de direitos e proteção indígena. A pesquisa teve como objetivo identificar e discutir possíveis fatores associados ao comportamento suicida entre os Iny, assim como avaliar aspectos positivos e negativos das ações empreendidas pelo poder público. Metodologicamente, fundamenta-se em pesquisa documental, utilizando relatórios e registros institucionais produzidos por órgãos que participaram das intervenções, complementados por bibliografia relacionada ao tema e por considerações de indígenas e não indígenas presentes na documentação analisada. A análise rejeita explicações unicausais e compreende o fenômeno como complexo e multicausal. Entre os elementos examinados encontram-se as transformações culturais decorrentes das relações interétnicas, o consumo de álcool, as mudanças nas relações de parentesco, os conflitos conjugais e geracionais, as transformações associadas à passagem para a vida adulta, o luto comunitário e as explicações cosmológicas Iny relacionadas ao feitiço e ao xamanismo. O estudo ressalta que esses fatores não devem ser considerados isoladamente, sendo necessário compreender o comportamento suicida no interior das particularidades sociais e culturais dos povos envolvidos. Quanto à atuação estatal, identificam-se como limitações a repetição de diagnósticos sem intervenções subsequentes, dificuldades logísticas, restrições de profissionais e recursos financeiros e descontinuidade das estratégias de pósvenção. Em contrapartida, destacam-se a articulação interinstitucional e intersetorial, o protagonismo dos indígenas e de agentes públicos e a realização de atividades culturais, esportivas, educativas e de saúde. Conclui-se que a experiência evidencia a importância da coordenação entre instituições e da participação das comunidades indígenas na formulação das intervenções. Os resultados oferecem subsídios à gestão pública para aperfeiçoar ações, programas e políticas dirigidas aos Karajá e Javaé, ao mesmo tempo que apontam a necessidade de aprofundamento das pesquisas sobre o comportamento suicida entre os povos Iny.