Livro: RESSIGNIFICAÇÃO PRODUTIVA DO SETOR ARTESANAL NA DÉCADA DE 1990: O ENCONTRO ENTRE ARTESANATO E EMPREENDEDORISMO
Autor: (Ana Beatriz Martins dos Santos Seraine)
O livro Ressignificação produtiva do setor artesanal na década de 1990: o encontro entre artesanato e empreendedorismo, de Ana Beatriz Martins dos Santos Seraine, analisa a incorporação do artesanato brasileiro à agenda das políticas públicas no contexto das transformações econômicas e sociais ocorridas a partir da década de 1990. A obra parte do agravamento do desemprego estrutural, da precarização do trabalho e do deslocamento do papel do Estado em direção a um modelo de desenvolvimento orientado pelo mercado, cenário em que o empreendedorismo emerge como ideologia e estratégia de enfrentamento da pobreza e da exclusão social. A autora compreende o artesanato como expressão do trabalho por conta própria, tradicionalmente associado à subsistência e à informalidade, e examina como essa atividade passa a ser reinterpretada como alternativa econômica viável, capaz de gerar trabalho e renda. Nesse processo, o artesanato deixa de ser visto apenas como manifestação cultural ou atividade assistencial e passa a ser tratado como nicho de mercado, articulado às lógicas de competitividade, gestão e comercialização. O foco empírico do estudo recai sobre o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), analisado como política pública representativa da incorporação do empreendedorismo às ações estatais voltadas ao setor artesanal. A obra examina a concepção institucional do PAB, sua implementação no Piauí e seus impactos sobre o artesanato ceramista do bairro Poti Velho, em Teresina. Do ponto de vista metodológico, o trabalho combina análise documental, dados quantitativos e entrevistas qualitativas, permitindo compreender tanto o desenho da política quanto seus efeitos concretos. Conclui-se que a política pública para o artesanato, nos anos 1990, buscou transformar o artesão em empreendedor, ressignificando a atividade artesanal como instrumento de inclusão produtiva, geração de renda e valorização cultural, ainda que marcada por tensões entre tradição, mercado e desigualdades estruturais.